Divisão:
- Literatura Informativa
- Literatura Jesuítica
Literatura Informativa
Também conhecida como literatura dos viajantes ou literatura dos cronistas, foi uma forma de literatura que tinha como arquétipo, mostrar a geografia geral do Brasil. Esse modelo se preocupava em mostrar a extensa fauna, a formosa flora e os habitantes nativos daqui, juntamente com seus costumes, que se apresentaram muito diferentes dos europeus
Ps: A carta que inaugurou a Literatura Informativa foi a Carta de Achamento escrita por Pero Vaz de Caminha.
"Senhor, posto que o capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta Vossa terra nova, que se ora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta. (...)
E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até terça-feira d’ oitavas de Páscoa, que foram 21 dias d’Abril, que topamos alguns sinais de terra (...) E à quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves, a que chamam fura-buchos. Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d’um grande monte, mui alto e redondo, e d’outras serras mais baixas ao sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs o nome o Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz. (...)
E dali houvemos vista d’homens, que andavam pela praia, de 7 ou 8, segundo os navios pequenos disseram, por chegaram primeiro. (...) A feição deles é serem pardos, maneira d'avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. (...)
Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos, pelas espáduas; e suas vergonhas tão altas e tão çarradinhas e tão limpas das cabeleiras que de as nós muito bem olharmos não tínhamos nenhuma vergonha. (...)
E uma daquelas moças era toda tinta, de fundo a cima, daquela tintura, a qual, certo, era tão bem feita e tão redonda e sua vergonha, que ela não tinha, tão graciosa, que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhes tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela. (...)
O capitão, quando eles vieram, estava assentado em uma cadeira e uma alcatifa aos pés por estrado, e bem vestido, com um colar d'ouro mui grande ao pescoço. (...) Um deles, porém, pôs olho no colar do capitão e começou d'acenar com a mão para a terra e despois para o colar, como que nos dizia que havia em terra ouro. E também viu um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e então para o castiçal, como que havia também prata. (...)
Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. (...)"
Principais documentos que compõem a nossa literatura informativa:
1. Carta do descobrimento (Pero Vaz de Caminha): foi escrita no ano de 1500 e
publicada pela primeira vez em 1817.
2. Tratado da terra do Brasil (Pero de Magalhães Gândavo): foi escrito por volta de
1570 e impresso pela primeira vez em 1826.
3. História da Província de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil (Pero
de Magalhães Gândavo): foi editado em 1576.
4. Diálogo sobre a conversão dos gentios (Padre Manuel da Nóbrega ): foi escrito
em 1557 e impresso em 1880.
5. Tratado descritivo do Brasil (Gabriel Soares de Sousa): escrito em 1587 e
impresso por volta de 1839.
Literatura Jesuítica
Os impérios ibéricos continham em sua expansão uma
profunda ambiguidade. Ao espírito capitalista-mercantil
associavam um certo ideal religioso e salvacionista. Por essa
razão, dezenas de religiosos acompanhavam as expedições a
fim de converter os gentios.
Como consequência da Contrarreforma, chegam, em 1549, os
primeiros jesuítas ao Brasil. Incumbidos de catequizar os
índios e de instalar o ensino público no país, fundaram os
primeiros colégios, que foram, durante muito tempo, a única
atividade intelectual existente na colônia.
Do ponto de vista estético, os jesuítas foram responsáveis pela melhor
produção literária do Quinhentismo brasileiro. Além da poesia de
devoção, cultivaram o teatro de caráter pedagógico, inspirado em
passagens bíblicas, e produziram documentos que informavam aos
superiores na Europa o andamento dos trabalhos.
O instrumento mais utilizado para atingir os objetivos pretendidos pelos
jesuítas (moralizar os costumes dos brancos colonos e catequizar os
índios) foi o teatro. Para isso, os jesuítas chegaram a aprender a língua
tupi, utilizando-a como veículo de expressão. Os índios não eram
apenas espectadores das peças teatrais, mas também atores,
dançarinos e cantores.
Os principais jesuítas responsáveis pela produção literária da época
foram o padre Manuel da Nóbrega, o missionário Fernão Cardim e o
padre José de Anchieta.



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