Music Blog

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Filosofia Medieval - Agostinho de Hipona (Overview)



Santo Agostinho de Hipona (354 d.C.- 430 d.C.) - viveu 756 anos

Contexto Histórico
  • Dois preconceitos
  1. Visão renascentista-iluminista:  Admite que a Idade média foi um período de mil anos de trevas (Período das Trevas) e superstições - O próprio termo "Idade Média" denota isso, pois esse período fica entre a Idade Antiga e a Moderna, de modo que a Idade Média foi um período de estagnação cultural, principalmente- Essa visão chega a defender a ideia de que a filosofia foi morta durante esse período e somente na Modernidade há um ressurgimento da filosofia, da cultura e outros aspectos com o movimento chamado Renascimento ou Renascença. Todavia essa visão despreza os bens que o período medieval nos trouxe, temos como exemplo: surgimento dos hospitais, das universidades, contribuição da filosofia medieval (patrística e escolástica) na epistemologia -os problemas que surgiram na filosofia medieval foram passados para a filosofia moderna, essa trabalhou muito na área da teoria do conhecimento.                                 
  2. Visão Romântica: Admite que a Idade Média foi um período utópico (nesse contexto, a palavra utopia denota uma civilização perfeita) em que todos viviam felizes no campo, todavia a Idade Média foi um período de escravidão, Inquisição e também foi cenário do alastramento da peste bubônica.
Problemas da Filosofia Medieval
  • Problema Central: Relação entre a e a Razão
  • Outros problemas: Como usar a filosofia greco-romana sendo um cristão? Como pensar o bem e o mal?


 Vida de Santo Agostinho
  • Africano, Agostinho nasceu onde hoje é a Argélia, na época do domínio romano.                           
  • Chegou a adotar o maniqueísmo (espécie de mistura entre zoroastrismo e cristianismo),Agostinho se converteu pela influência de sua mãe Mônica.
Ps: Romanos 13.13 foi um texto da Bíblia fundamental para a conversão de Agostinho
  • Se torna sacerdote aos 37 anos.                                                                                                       
  • Segundo Daniel Rops, escreveu 93 obras, dividas em 232 livros.                                                     
  • Cristianizou Patão- Agostinho dizia que os filósofos gregos não atingiram a verdade plena, pois usaram somente a razão (não usaram a ).                                                                             
Seis elementos do Pensamento Agostiniano
  • 1. Anterioridade do Amor : Já Procurávamos o amor nos vícios, na bebida e em outros elementos, todavia só encontramos o amor verdadeiro e pleno em Deus.
  • 2. Por que o cristão é mais livre que o pagão? Porque a liberdade se encontra ao servir a Deus, ao contrário disso, o prazer de pecar é a escravidão.
  • 3.  Se Deus é perfeito, por que existe a maldade?
Analogia atual com a física: 
O Escuro não é uma substância (uma matéria)
É a ausência de Luz
O Frio não é uma substância (uma matéria)
É a ausência de calor

Da mesma forma, a maldade é a ausência do bem. Deus não criou o mal, esse é a ausência de Deus.

- Quid sit malum?
R: "O mal não é."  O mal não existe como uma substância.
  • 4. O que Deus fazia antes de criar o mundo? 
Ps: Alguns historiadores afirmam que alguns padres respondiam aos fiéis que faziam essa pergunta, da seguinte maneira:
Ora, Deus criou o inferno para jogar todos àqueles que fazem essa pergunta.

Mas quando perguntavam a Santo Agostinho o que Deus fazia antes de criar o mundo, ele respondia com sensatez:
  • Deus é inventor do tempo, logo não havia antes.
  • Deus como SENHOR do tempo: " o ser é o tempo."
  • Mundo criado num ato livre do amor de Deus

  • 5. Concepção de História 
Visão de história linear ( tem um sentido linear - início, meio e fim), o que difere da visão greco-romana que defendiam que a História tem um sentido cíclico (Impérios caem, surgem outros - pessoas caem, outras morrem).

  • 6. Epistemologia: Teoria da Iluminação
"Fides praecedit Intellectum"
                                                                                   "Se não credes, não entendereis"

Agostinho afirmava que a razão é importante, essencial. Todavia ela sozinha é manca e incompleta. A fé ilumina a razão, ela ilumina a consciência e só ela nos levará a verdade absoluta.


  • Anedota - A Criança e o Mar
"Andando pela areia da praia, Santo Agostinho submergia certa vez em pensamentos profundos e altíssimos que se elevavam ao céu. Entre seus raciocínios, pensava ele no mistério da Santíssima Trindade.

“Como é que pode haver três Pessoas distintas – Pai, Filho e Espírito Santo – em um mesmo e único Deus?”

Ele avistou, de repente, um menino com um baldinho de madeira, que ia até a água do mar, enchia o seu pequeno balde e voltava, despejando a água em um buraco na areia.

Santo Agostinho, observando atentamente o menino, lhe perguntou:

– O que estás fazendo?

O menino, com grande simplicidade, olhou para Santo Agostinho e respondeu:

– Coloco neste buraco toda a água do mar!

Diante da inocência do menino, o santo lhe sorriu e disse:

– Isto é impossível, menino. Como podes querer colocar toda essa imensidão de água do mar neste pequeno buraco?

O anjo de Deus o olhou então profundamente e lhe disse com voz forte:

– Em verdade, te digo: é mais fácil colocar toda a água do oceano neste pequeno buraco na areia do que a inteligência humana compreender os mistérios de Deus (a Santíssima Trindade)!"

Ps: Essa anedota expressa os limites da razão humana.

"Deus é o arx da philosophiae (ápice da filosofia), e, para alcançá-lo, não basta a razão, mas é preciso transcendê-la, para isso, é preciso entregar-se gratuitamente na busca da face incompreensível de Deus."












Nenhum comentário:

Postar um comentário